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E o Economista Sou Eu

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Euribor

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O que é  a Euribor®?

Euribor é  o acrónimo de European Interbank Offered Rate. É  a taxa de juro que um conjunto de bancos que operam na Zona Euro estão dispostos a cobrar a outros bancos, por empréstimos durante um determinado prazo. Em rigor  não  existe uma taxa Euribor®,  mas diversas taxas consoante os prazos. Neste momento existem oito taxas, para os prazos de: uma semana, duas semanas, um mês, dois meses,  três  meses, seis meses, nove meses e 12 meses.


Como é calculada?

 

Diariamente é  pedido a um conjunto  de 23 bancos que indiquem as taxas a que estão  dispostos a conceder empréstimos a outros bancos para os oito prazos. Para  cada prazo, são  excluídas 15% das taxas mais elevadas e 15% das mais baixas (ou seja ficam somente 70% das taxas) e calcula-se a média com três casas decimais.

 

Quando é calculada?

É calculada  diariamente pela ThomsonReuters, a pedido do European Money Markets Institute, e é divulgada às 10h00 de Lisboa.

 

Qua a data da 1.ª cotação das taxas Euribor®?

A primeira cotação das taxas Euribor® foi no dia 30 dezembro de 1998, para ser aplicada no dia 4 de janeiro de 1999, o 1.º dia útil de 1999 (o Euro foi criado no dia 1 de janeiro de 1999).

 

Porque é importante a Euribor®?

A Euribor® é muito importante porque existem milhões de contratos na Zona Euro indexados a esta taxa. Em Portugal, a maioria dos contratos de crédito à habitação está indexado às taxas Euribor®, mas também existem contratos de crédito ao consumo e de crédito a empresas. Existem contratos de Futuros, transacionados em bolsa, sobre as taxas Euribor®, permitindo a investidores tomarem posições no sentido de beneficiar da subida ou descida desta taxas ou para cobrirem o risco. Muitas empresas também emitem dívida (obrigações ou papel comercial) com a taxa de juro indexada à Euribor, adicionada de um spread (prémio de risco).

 

Do que depende a Euribor®?

Existe uma forte correlação entre as taxas Euribor® e a taxa de referência do Banco Central Europeu (BCE), a refi rate. Até à crise financeira internacional, as taxas Euribor® correspondiam à expectativa dos bancos para o valor da refi rate do BCE, adicionado de um prémio de risco positivo, mas normalmente pequeno. Por exemplo, se os bancos esperassem que nos próximos 90 dias a refi rate fosse de 2%, então a Euribor a 3 meses seria de 2%+prémio de 0.1%, ou seja de 2.1%. Se os bancos achassem que durante aqueles três meses o BCE teria durante dois meses a refi rate em 2% e subiria depois para 2.25% no 3.º mês, então a Euribor a três meses seria de 2.183% (2.183%= 2%/3 + 2%/3 + 2.25%/3 + 0.1%).

Com a crise financeira, nomeadamente após a falência da Lehman Brothers, muitos bancos receavam que os seus pares pudessem falir, pelo que o prémio de risco subiu vertiginosamente para 1.8%, em vez dos tradicionais 0.1%. Assim, mesmo sem alterações na política de taxas de juro do BCE as taxas Euribor® dispararam.

Entretanto, surgiu um outro fenómeno: a crise da dívida soberana e os receios quanto ao sistema bancário dos chamados países periféricos da Zona Euro (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália). A confiança entre os bancos da Zona Euro diminuiu e muitos bancos começaram a preferir depositar dinheiro no BCE (a uma taxa de juro mais baixa) em vez de emprestar a outros bancos. A consequência é que em vez de a refi rate do BCE (atualmente em 0.05%) ser âncora para as taxas Euribor, passou a ser a taxa de depósitos do BCE.

 

Porque é que algumas taxas Euribor® estão negativas?

Para desincentivar que tantos bancos depositassem dinheiro no BCE, o BCE cortou a taxa de depósitos para valores negativos, estando atualmente em −0.30% (ou seja, os bancos passaram a pagar ao BCE pelos depósitos que lá têm), mas, mesmo assim, o BCE continuou a receber muitos depósitos. É basicamente por isso que as taxas Euribor® a 3 meses e a 6 meses estão negativas!  

 

Num próximo post, falaremos sobre que taxa Euribor se deve escolher para o crédito à habitação.

 

 

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